Valfloriana
Valfloriana é um pequeno município de Trentino que ocupa uma encosta isolada entre o Val di Cembra, escavado pelo rio Avisio, e o...
Atualizado em 21 julho 2026
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A história
A história de Valfloriana
Valfloriana entre o Val di Cembra e o Val di Fiemme
Valfloriana ocupa uma posição singular na geografia trentina: encontra-se na margem esquerda do Avisio, o riacho que escava o Val di Cembra, mas olha cultural e administrativamente para o Val di Fiemme, com o qual compartilha costumes, fala e calendário de festas. O município desenvolve-se numa ampla encosta arborizada que sobe do vale até mais de 1.200 metros, num território de quase 40 quilômetros quadrados marcado por fortes desníveis e por uma exposição que alterna encostas ensolaradas com vales sombrios. Essa localização de articulação entre dois vales, ambos marcados por uma forte identidade local, tornou Valfloriana um lugar à parte, com uma fisionomia que não coincide totalmente nem com o Val di Cembra vitivinícola nem com o Val di Fiemme ligado à madeira e ao esqui, mas que condensa em menor escala alguns traços, numa paisagem de bosques, prados de corte e pequenos núcleos rurais.
O Carnevale dei Matoci: as máscaras de madeira
O traço identitário mais forte de Valfloriana é o Carnaval dos Matoci, um dos carnavais arcaicos mais bem preservados do arco alpino, celebrado todos os anos no Sábado Gordo com um cortejo que parte pela manhã e atravessa as aldeias até convergir na praça de Casatta. No centro da festa está o matòcio, a figura mascarada que usa a facèra, uma máscara de madeira de pinheiro-cedro esculpida à mão, com um rosto ao mesmo tempo belo e inquietante, capaz de alterar a voz e o porte de quem a usa. Em torno do matòcio move-se um pequeno mundo de personagens fixos: arlequins, músicos, a bèla, os noivos e os paiaci, numa encenação que evoca os antigos cortejos nupciais celebrados no inverno, na estação livre dos trabalhos agrícolas, quando as comunidades de montanha organizavam falsos casamentos mascarados como festa coletiva. À parada, que atrai também grupos mascarados de outros vales trentinos e do Val d'Aosta, acompanham-se cantos, danças e especialidades como a supa der orz e o queijo Casat, num evento que é ao mesmo tempo espetáculo popular e património etnográfico transmitido de geração em geração.
Um município disperso: treze aldeias e a vida dos masi
Valfloriana é, na definição administrativa trentina, um município disperso: não existe uma capital única, mas um arquipélago de treze aldeias em diferentes altitudes, de Ischiazza a 700 metros até Sicina, a mais alta a 1.200 metros, passando por Barcatta, Casanova, Dorà, Montalbiano, Palù, Pozza, Pradel, Valle e Villaggio, além da sede municipal de Casatta. Essa dispersão reflete a vida camponesa de montanha, com pequenos núcleos de casas e masi perto dos prados de feno e dos pastos, muitas vezes a meia encosta, ligados por caminhos de mulas que ainda hoje traçam as trilhas locais. Três igrejas, dedicadas a Santo Antônio de Pádua em Dorà, a São Floriano em Casatta e a São Filipe Néri em Montalbiano, marcam a vida religiosa das aldeias. Um capítulo dramático está ligado à inundação de novembro de 1966, que atingiu Ischiazza e Maso, forçando a sua evacuação e o nascimento da aldeia de Villaggio, enquanto os dois núcleos originais permanecem ainda hoje desabitados.
As florestas, os Lagorai e a natureza
O território de Valfloriana é em grande parte coberto por florestas de abeto vermelho, lariço e pinheiro-cem, a mesma essência com que são esculpidas as máscaras do Carnaval, que sobem em altitude até encontrarem os pastos altos e as rochas dos Lagorai, o maciço porfirítico que fecha ao sul o Val di Fiemme e a Valsugana. Dos núcleos mais altos do município, como Sicina, partem trilhos para as passagens e os pastos de montanha do sopé setentrional dos Lagorai, um ponto de acesso menos percorrido em comparação com outros itinerários da zona, num ambiente de silêncio e de natureza pouco antropizada. Estes percursos ligam-se à rede de caminhadas mais ampla da Translagorai, a longa travessia que segue a crista do maciço de Panarotta até Passo Rolle, entre lagos alpinos e pastos floridos, e representam para Valfloriana uma porta de acesso silenciosa a um dos cantos mais selvagens e menos frequentados dos Alpes trentinos.
História e experiências para viver
O nome de Valfloriana deriva do padroeiro São Floriano, a quem é dedicada a igreja de Casatta, embora uma tradição popular o reconduza aos prados floridos rodeados por florestas de abeto que outrora caracterizavam a paisagem. A história recente da vila conserva um episódio particular: no referendo institucional de 1946 entre monarquia e república, Valfloriana foi o município trentino com a maior percentagem de votos a favor da república, quase 97 por cento, um dado que os historiadores locais interpretam como reflexo de uma comunidade autónoma e pouco inclinada às hierarquias tradicionais. Hoje, a vila vive da pecuária bovina, produção de queijos e enchidos e exploração florestal, juntamente com um turismo lento feito de agroturismos, passeios entre as aldeias e estadias fora de época. Visitar Valfloriana significa alternar a descoberta dos pequenos núcleos rurais, das igrejas de aldeia e dos trilhos para os Lagorai com a participação, se o calendário o permitir, no Carnaval dos Matoci, o evento que melhor conta a alma deste recanto isolado do Trentino.
A não perder
- The Carnival of the Matoci in Casatta, with the parade of the facèra wooden masks
- The thirteen scattered hamlets of the municipality, from Ischiazza to Sicina
- The church of San Floriano in Casatta, the municipal seat and religious heart of the village
- A hike toward the northern pastures and passes of the Lagorai
- A stop at the farmsteads and alpine huts to taste Casat cheese and local cured meats
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