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Tubre

Tubre, em alemão Taufers im Münstertal, é o município mais ocidental da província de Bolzano, situado no baixo Val Monastero (Müns...

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Tubre, em alemão Taufers im Münstertal, é o município mais ocidental da província de Bolzano, situado no baixo Val Monastero (Münstertal) mesmo na fronteira com a Suíça, a poucos passos do Cantão dos Grisões e da aldeia helvética de Müstair. Rodeada pelos Alpes Réticos e pelas margens do Parque Nacional do Stelvio, a vila conserva uma identidade de língua alemã, falada por mais de 97% da população, amadurecida após o abandono do romanche no início do século XIX e sancionada, a nível político, pela passagem para a Itália em 1919 com o Tratado de Saint-Germain. O coração histórico e artístico de Tubre é a igreja de São João, erguida sobre uma abadia beneditina do século IX e confiada no século XIII à Ordem dos Hospitalários, que ali construiu também um albergue para os peregrinos em trânsito para as passagens alpinas. Em torno do núcleo habitado, a economia permanece ligada à agricultura de montanha em cerca de 350 hectares, enquanto o território oferece trilhos que sobem em direção às cristas do Chavalatsch e se debruçam, além fronteira, sobre o Parque Nacional Suíço. Etapa de passagem desde a época carolíngia, entre história de fronteira, arte românica e natureza alpina, Tubre permanece hoje um pequeno município bilíngue de caráter autêntico.

Atualizado em 21 julho 2026

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A história

A história de Tubre

Tubre no Val Monastero, na fronteira com a Suíça

Tubre ocupa a extremidade sudeste do Val Monastero, o vale que desce do Passo del Forno até encontrar o Val Venosta e que por cerca de dois terços pertence à Suíça, no Cantão dos Grisões. A fronteira corre a poucos quilómetros da capital, marcada por uma passagem aduaneira que liga Tubre à aldeia suíça de Müstair, o primeiro povoado além fronteira. Esta posição tornou a vila, durante séculos, um ponto de passagem entre o mundo rético-romanche e o tirolês, tanto que a tradição narra de uma passagem de Carlos Magno a caminho de Roma no ano 800. Até ao início do século XIX a comunidade falava romanche, como ainda acontece no alto vale suíço; o abandono desta língua em favor do alemão marcou a aproximação cultural de Tubre ao Tirol, enquanto a passagem para a Itália, em 1919, fixou as suas fronteiras atuais. Hoje a vila, com as suas aldeias, conserva uma estrutura rural recolhida em torno do Rio de Tubre, entre encostas cultivadas e bosques em direção aos Alpes Réticos.

A igreja de São João e os frescos românicos

O monumento mais célebre de Tubre é a igreja de São João Batista, erguida sobre os restos de uma abadia beneditina fundada no século IX e que caiu em ruínas por volta de 1130. Em 1218, o nobre Schwiker von Reichenberg cedeu o edifício à Ordem dos Hospitalários, depois conhecida como Ordem de Malta, que o ampliou segundo um invulgar plano de cruz grega e mandou decorar as suas paredes com frescos de inspiração bizantina, datáveis de cerca de 1220-1230. Na parede e na abóbada meridional desdobram-se cenas bíblicas e figuras de comitentes, enquanto a fachada em cantaria de pedra é aberta por um amplo portal de três arcadas rebaixadas. Na parede setentrional destaca-se a imagem de São Cristóvão, a mais antiga representação do santo na área tirolesa e uma das maiores do arco alpino, ladeada por frescos góticos de 1383. Desconsagrada no século XVIII, a igreja passou em 1832 para o município de Tubre e foi objeto de importantes restauros que a tornam hoje um dos ciclos pictóricos românicos mais bem conservados do Alto Adige.

O albergue do Espírito Santo e a história dos peregrinos

Ao lado da igreja, a Ordem dos Hospitalários construiu também um albergue destinado a acolher os peregrinos e viajantes que subiam o Val Monastero em direção às passagens alpinas e à Suíça. A partir do século XIV, o pórtico superior servia de dormitório, enquanto o inferior era utilizado como sala de estar para os peregrinos de passagem, num sistema de hospitalidade que refletia a vocação de Tubre como etapa de fronteira ao longo de uma das mais antigas vias dos Alpes Réticos. A presença da Ordem, que mais tarde se fundiu com os cavaleiros de Malta, ligou durante séculos o destino do país a uma rede assistencial que oferecia refúgio, cuidados e apoio espiritual a quem enfrentava a caminhada em direção às passagens nevadas. Com o progressivo abandono da estrutura no século XVI, a função de acolhimento desapareceu, mas a sua memória permanece entrelaçada à da igreja vizinha, testemunho de uma época em que a fé e a hospitalidade aos viajantes faziam parte da vida de fronteira.

O Parque Nacional do Stelvio e a natureza

O território de Tubre está entre os municípios incluídos no Parque Nacional do Stelvio, a maior área protegida dos Alpes italianos, que aqui atinge sua margem ocidental antes de encontrar, além da fronteira, o Parque Nacional Suíço. No lado direito do vale, ergue-se a cadeia de Chavalatsch, um prolongamento do grupo Ortles-Cevedale, com altitudes que no município variam de cerca de 1.050 a mais de 3.190 metros. Bosques de abeto vermelho, lariço e pinheiro-cembra cobrem as encostas até cerca de 2.000 metros, dando lugar a pastagens de alta altitude onde não é raro encontrar veados, camurças, corços e íbex, além de espécies-símbolo como a águia-real e o abelharuco. Do centro da vila, partem trilhas que sobem em direção aos refúgios e cristas de fronteira, oferecendo pontos de observação sobre todo o Val Monastero e, em dias mais claros, vistas sobre as montanhas do Cantão dos Grisões: um patrimônio natural que faz de Tubre uma porta de entrada silenciosa para um dos ambientes alpinos mais bem conservados da Europa.

Tradições e experiências entre duas culturas

A vida em Tubre permanece marcada por ser um município de fronteira e de língua alemã, com mais de 97% da população falando alemão como língua materna: uma identidade que se reflete nas arquiteturas rurais, nas festas religiosas e na agricultura de montanha, praticada em cerca de 350 hectares entre prados de corte, pastagens e pequenas hortas. A vila é também um ponto de partida ideal para quem deseja visitar, a poucos quilômetros de distância, a vila suíça de Müstair com sua famosa abadia carolíngia, patrimônio da humanidade da UNESCO pelos afrescos da Alta Idade Média que guarda, acessível a pé ou de bicicleta ao longo da estrada do vale, embora permaneça fora do território municipal de Tubre. Na vila, são organizadas periodicamente visitas guiadas à igreja de São João, feiras ligadas aos produtos da alpeagem e caminhadas temáticas ao longo dos trilhos do vale, enquanto a hospitalidade em pequenas estruturas familiares permite descobrir um canto do Tirol do Sul onde o alemão, a história habsburga e a proximidade com a Suíça compõem uma identidade única.

Imperdível

  • Church of San Giovanni Battista, with its famous Romanesque fresco cycle and the Saint Christopher
  • The ancient hospice of the Order of the Hospitallers next to the church
  • A hike along the Chavalatsch ridge within Stelvio National Park
  • The border crossing and the nearby Carolingian abbey of Müstair, in Switzerland
  • A walk along the Tubre stream among meadows and traditional Tyrolean rural architecture

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