Trambileno
Trambileno é um município disperso da Vallagarina, na província de Trento, que se estende ao longo do vale do Leno, a sul de Rover...
Atualizado em 21 julho 2026
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A história
A história de Trambileno
Trambileno a sul de Rovereto, em direção ao Pasubio
Trambileno encontra-se na parte meridional da Vallagarina, a sul de Rovereto, num território de transição entre o Trentino e o Veneto aos pés do maciço do Pasubio. O município, de tipo disperso, ocupa mais de cinquenta quilómetros quadrados e nasce na confluência de dois cursos de água, o Leno di Vallarsa e o Leno di Terragnolo, de onde deriva o próprio nome da localidade, outrora designada como terra 'entre os dois Leni'. Faz fronteira com os municípios de Vallarsa, Terragnolo, Rovereto e, além da crista, com Posina e Valli del Pasubio, já na província de Vicenza: uma posição de charneira que tornou este território, ao longo dos séculos, um lugar de passagem e, durante a Primeira Guerra Mundial, linha de fronteira entre dois exércitos. A paisagem alterna bosques densos, terraços cultivados e paredes rochosas, num sucessivo de altitudes que partem dos cerca de quinhentos metros do fundo do vale e sobem rapidamente em direção aos picos do Pasubio, bem além dos dois mil metros.
A Grande Guerra e os locais da memória
O território de Trambileno foi, entre 1915 e 1918, a primeira linha da frente ítalo-austro-húngara, disputada em batalhas duríssimas travadas entre as rochas do Pasubio. O testemunho mais imponente deste passado é o Forte Pozzacchio, conhecido também como Werk Valmorbia, uma fortificação austro-húngara construída entre 1912 e 1915 e inteiramente escavada na rocha, pensada para bloquear o acesso da Vallarsa em direção a Rovereto. Conquistado ainda incompleto pelos italianos em 3 de junho de 1915, foi retomado pelos austro-húngaros durante a Strafexpedition em maio de 1916 e resistiu a uma tentativa de reconquista italiana em junho do mesmo ano, antes de ser abandonado em novembro de 1918. Restaurado pelo Município, o forte é hoje visitável com as suas galerias, postos de tiro e a passarela panorâmica. Um pouco mais acima, nas encostas do Pasubio, estende-se a Zona Sacra declarada monumento em 1922, uma paisagem marcada por crateras, trincheiras e caminhos escavados na rocha, memória de uma das frentes mais duras da Grande Guerra nos Alpes.
O Pasubio e o excursionismo
Do território de Trambileno partem alguns dos itinerários que conduzem aos picos do Pasubio, o maciço calcário-dolomítico que culmina a 2.232 metros com a Cima Palon e marca a fronteira com a província de Vicenza. Um ponto de referência para excursionistas e alpinistas é o Rifugio Vincenzo Lancia, base de apoio para as ascensões aos Denti del Pasubio, os dois picos rochosos divididos durante a guerra entre as linhas italiana e austro-húngara e ainda hoje sulcados por galerias e trincheiras. Nos arredores desenvolve-se também a célebre Strada delle 52 Gallerie, uma trilha de guerra escavada na rocha para garantir o trânsito das tropas italianas ao abrigo do tiro inimigo, e a Strada degli Eroi, que recorda com lápides quinze caídos decorados com a Medaglia d'oro. Entre bosques, pastagens como Alpe Alba e paredes rochosas, a área oferece percursos de qualquer dificuldade, desde caminhadas entre as frações até às ascensões alpinistas mais exigentes nas paredes do Pasubio.
As frações, os masi e a natureza
Trambileno é um município disperso composto por dezoito frações, entre elas Moscheri, sede municipal, e Porte, Pozza, Pozzacchio, Dosso, San Colombano, Sega e Vignala, espalhadas entre bosques de castanheiros e encostas em terraços. Sobre um esporão rochoso acima do riacho Leno ergue-se o Eremo di San Colombano, lugar de eremitismo documentado desde 753, acessível por uma curta trilha escavada na parede. Em Moscheri encontra-se, por outro lado, o Santuario della Madonna de La Salette, construído em 1856 graças à doação de um nobre local e representado ainda hoje no brasão municipal. A paisagem agrícola, feita de masos isolados, castanheiros seculares e pastagens de alta altitude utilizadas para a ceifa de verão, conserva vestígios da colonização de colonos de língua alemã que chegaram no século XIII, dos quais permanece memória na identidade cimbra ainda reconhecida por uma pequena parte da população.
História e experiências
O município de Trambileno, em sua configuração atual, foi instituído em 16 de outubro de 1920, mas suas raízes mergulham em uma história de comunidades rurais de montanha marcada pela emigração e reconstrução. Entre o final do século XIX e o início do século XX, muitas famílias da zona deixaram a Vallagarina para buscar fortuna na América do Sul, dando origem a laços que sobrevivem ainda hoje no geminação com a cidade brasileira de Bento Gonçalves, fundada também por emigrantes trentinos. Devastado pelos combates da Grande Guerra e reconstruído no pós-guerra, o território soube transformar as cicatrizes do conflito em um patrimônio de memória compartilhada, aliando-as a uma economia rural baseada na agricultura de montanha e pequena pecuária. Hoje, Trambileno propõe uma oferta turística que une visitas ao Forte Pozzacchio e aos trilhos de guerra do Pasubio a caminhadas entre as frações, os masos e os castanheiros, em um relato que mantém unidas história, natureza e identidade de fronteira.
Imperdível
- Forte Pozzacchio (Werk Valmorbia), a rock-carved Austro-Hungarian fortification
- The Eremo di San Colombano hermitage above the Leno stream
- The Sanctuary of the Madonna de La Salette in Moscheri
- A hike on the Pasubio starting from Rifugio Vincenzo Lancia
- The Great War trails among trenches and tunnels on the Pasubio
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