Telve
Telve é um município da Bassa Valsugana, em Trentino, situado na margem esquerda do rio Brenta, ao longo das encostas meridionais...
Atualizado em 21 julho 2026
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A história
A história de Telve
Telve na Valsugana, ao longo do Brenta
Telve situa-se na Bassa Valsugana, o vale percorrido pelo rio Brenta entre Trento e a fronteira com o Vêneto, a cerca de 38 quilómetros da capital da província. A povoação estende-se pela margem esquerda do Brenta, aos pés das encostas meridionais do Monte Salubio, o último prolongamento a jusante da grande cadeia do Lagorai, numa posição soalheira e panorâmica que domina o vale cultivado. O território municipal, um dos mais extensos da zona com quase 65 quilómetros quadrados, desenvolve-se verticalmente desde os cerca de 548 metros da vila até aos 2.574 metros da Cima delle Buse, compreendendo um leque de ambientes que vão desde as vinhas e pomares do vale até aos bosques e prados de alta altitude. O centro histórico ainda conserva hoje a antiga divisão em "cormei", pequenos núcleos de casas encostadas em torno de pátios comuns, onde outrora se organizava a vida quotidiana de famílias e vizinhanças, com hortas, palheiros e passagens partilhadas que contam a economia agrícola de outrora.
A Val Calamento e os Lagorai
A joia natural de Telve é o Val Calamento, um vale secundário da Valsugana que pertence inteiramente ao território municipal e é considerado um dos mais belos do Trentino. Percorrido pelo riacho Maso di Calamento, o vale sobe entre 1.300 e 1.600 metros de altitude, cercado por outros vales laterais do Lagorai, como o Val Campelle, e com vista, ao fundo, para o Passo Manghen: a única passagem que liga diretamente a Valsugana ao Val di Fiemme através de toda a cadeia do Lagorai. Ao longo do percurso, encontram-se malghe ainda ativas como a Malga Cere e a Malga Cagnon di Sopra, pontos de referência para quem caminha, pedala ou pratica esqui de montanha e raquetes de neve no inverno, além do Museu Etnográfico da Madeira, dedicado ao processamento da madeira que por séculos foi um recurso fundamental para o vale. Na zona de Pontarso, opera hoje também uma central hidroelétrica que aproveita as águas do Maso di Calamento e do Maso di Spinelle, sinal de como o vale continua a ser um recurso energético e ambiental ao mesmo tempo.
O Castelo de Castellalto e o patrimônio histórico
Acima do povoado de Telve, em um esporão rochoso acessível a pé da fração de Parise, erguem-se as sugestivas ruínas do Castelo de Castellalto. O castelo tomou forma entre os séculos XII e XIII por vontade dos senhores "da Telvo", vassalos feudais dos príncipes-bispos de Feltre, substituindo um antigo fortim conhecido como Castel Arnana. A família chegou a controlar vários castelos da zona, antes que a extinção da linha fizesse Castellalto passar para uma sucessão de famílias nobres, entre elas os Trautmannsdorf e, no século XVII, os Buffa. Em 1487, durante um confronto entre o Principado de Trento e Veneza, as tropas venezianas, repelidas pelos defensores, incendiaram o povoado vizinho de Telve, episódio longamente lembrado pela memória local. Danificado ainda mais na Primeira Guerra Mundial, o castelo foi abandonado e usado como pedreira, até a perda de toda jurisdição em 1825; hoje seus restos, protegidos pelo Município, permanecem um destino de passeio com vista para a Valsugana.
Masi, bosques e natureza
O território de Telve é dominado por florestas, que cobrem cerca de 62% da área municipal, predominantemente coníferas que revestem as encostas do Monte Salubio e as altitudes mais elevadas em direção ao Lagorai, alternando-se com prados, pastagens e áreas agrícolas cultivadas com vinhas e pomares no vale. Espalhados pelas florestas e prados de meia encosta encontram-se os masi, as tradicionais casas rurais isoladas do Trentino, testemunho de uma agricultura de montanha feita de pequenos lotes em terrenos íngremes. Não muito longe da vila estende-se o Oásis de Valtrigona, o primeiro oásis do WWF no arco alpino, uma área protegida que salvaguarda um ambiente de alta altitude entre florestas, turfeiras e pastagens frequentado por rica fauna alpina. No planalto da Musiera, outra área de valor paisagístico, encontra-se um pequeno lago para pesca desportiva, destino de passeios adequados para toda a família. O conjunto destes ambientes torna Telve um excelente ponto de partida para caminhadas, de BTT ou de e-bike, para descobrir um Lagorai ainda pouco conhecido em comparação com as Dolomitas vizinhas.
História e experiências
A história de Telve é marcada por um longo sucessão de dominações, dos Rétios da Idade do Ferro aos Romanos, que ali fizeram passar a via Claudia Augusta, até aos Lombardos e ao Principado Episcopal de Feltre, a que a vila pertenceu a partir de 1027. Mas é a Primeira Guerra Mundial o evento que mais marcou a memória coletiva: em 1917, quase toda a população foi forçada a evacuar e a aldeia foi quase inteiramente arrasada, com apenas cinco casas de 255 a permanecerem habitáveis no regresso em 1919. A rápida reconstrução que se seguiu deu à vila o aspeto em grande parte conservado até hoje. Esta história é contada no Museu dos Usos e Tradições de Telve e no Ecomuseu do Lagorai, que documentam a vida quotidiana, os ofícios e a cultura material do vale. A este património junta-se uma oferta de passeios em todas as estações, com nordic walking e BTT no verão, esqui de montanha e raquetes de neve no inverno, e as duas igrejas principais da vila, a Assunta, decorada por Francesco Chiletto, e Santa Justina, com os seus frescos tardo-góticos.
Imperdível
- The ruins of Castello di Castellalto, reachable on foot from the hamlet of Parise
- A hike through the Val Calamento up to Passo Manghen among Lagorai pastures and woods
- The Valtrigona WWF Oasis, the first WWF oasis in the Alpine arc
- The Museo Etnografico del Legno and the Museo degli Usi e Tradizioni Telvate
- The Musiera plateau with its small lake for sport fishing
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