Naousa
Todos os anos, a 23 de agosto, o pequeno porto de Naousa acende-se com tochas, tiros a salvas e barcos em chamas: é a recriação da...
Atualizado em 8 julho 2026
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A história
A história de Naousa
Um porto forjado pela história
As origens de Naousa remontam à época bizantina, quando o pequeno povoado começou a desenvolver-se em torno de uma enseada abrigada, ideal para o atracadouro de barcos de pesca. Foi, porém, durante o domínio veneziano, a partir do século XIII, que a aldeia assumiu um papel estratégico: os venezianos, instalados em grande parte das Cíclades após a quarta cruzada, fortificaram a entrada do porto para o defender das incursões de piratas sarracenos e berberes que infestavam o Egeu. Nos séculos seguintes, sob domínio otomano, Naousa manteve uma autonomia relativa precisamente graças à sua função portuária, tornando-se também uma base para a pirataria local, uma atividade tão temida quanto rentável. Esta dupla identidade, de refúgio e de posto avançado, marcou o caráter da aldeia até hoje.
O castelo veneziano submerso

Na entrada do porto emergem da água os restos escalvados de um pequeno castelo veneziano, construído no século XV para defender a enseada e parcialmente engolido pelo mar nos séculos seguintes, devido à subida do nível do mar e aos sismos que abalaram a ilha. Hoje, as suas pedras desgastadas mal despontam abaixo da superfície da água, visíveis com nitidez nos dias limpos, e tornaram-se um dos símbolos mais fotografados da aldeia: ao entardecer, quando a luz rasante as tinge de rosa e âmbar, o contraste com os barcos ancorados e as casas brancas ao fundo devolve a imagem mais autêntica de Naousa.
O rosto branco e azul da aldeia antiga
O centro histórico desenrola-se num labirinto de vielas estreitas, pensadas originalmente para proteger os habitantes do vento e do olhar dos saqueadores que subiam do mar. As casas cúbicas caiadas de branco, os degraus pintados de azul, as buganvílias que caem sobre os muros e os pequenos pátios escondidos compõem um tecido urbano tipicamente cicládico, mas com uma elegância discreta que distingue Naousa de outros núcleos do arquipélago: as varandas de ferro forjado, os letreiros de madeira pintados à mão, as montras de ceramistas e ourives contam a história de uma aldeia que soube transformar-se num destino cosmopolita sem abdicar da sua própria identidade arquitetónica.
As igrejas e o património religioso

Como em grande parte das Cíclades, também em Naousa a paisagem urbana está pontuada de pequenas capelas brancas de cúpula azul, muitas vezes votivas, construídas por famílias de pescadores em sinal de gratidão por terem sobrevivido a um naufrágio. Entre as principais igrejas destaca-se a de Agios Ioannis, à qual é dedicada a grande festa patronal do final de agosto, e a igreja de Agia Paraskevi, que guarda ícones e alfaias sagradas de valor. A relação entre a aldeia e o mar reflete-se também na devoção popular: muitas cerimónias religiosas terminam com procissões até ao porto, num entrelaçamento entre fé e vida marinheira que ainda hoje permeia o calendário local.
Testemunhos do passado: o museu bizantino
Mesmo fora do centro, a igreja da Panagia Ypapanti alberga uma coleção de ícones bizantinos e pós-bizantinos, testemunho de um património artístico muitas vezes negligenciado em favor das praias e da vida noturna, mas de grande interesse para quem quiser compreender a história religiosa da ilha. Os ícones, alguns datados dos séculos XVI e XVII, provêm de igrejas e mosteiros do interior pariano e mostram a influência dos estilos cretense e constantinopolitano que atravessaram o Egeu durante séculos, enriquecendo uma ilha conhecida sobretudo pelo seu mármore e pelos seus portos.
Kolymbithres, as rochas esculpidas pelo vento

A poucos quilómetros a oeste da aldeia encontra-se uma das praias mais singulares das Cíclades: Kolymbithres, cujo nome significa literalmente 'tanques', deve a sua fama a enormes blocos de granito polidos pela erosão eólica e marinha, que desenham enseadas naturais de areia claríssima e água pouco profunda e transparente, ideais também para famílias com crianças. A praia pode ser alcançada de carro, de autocarro ou com um breve trajeto de caique a partir do porto de Naousa, uma opção particularmente sugestiva que permite admirar a costa recortada de outro ponto de vista.
Lageri e Santa Maria: o mar turquesa a leste
Na vertente oriental do golfo sucedem-se as praias de Lageri e Santa Maria, menos cenográficas do ponto de vista geológico, mas muito apreciadas pelos fundos arenosos e pelas águas cujas cores variam do turquesa ao esmeralda. Santa Maria, em particular, tornou-se nas últimas décadas um ponto de referência para os desportos aquáticos, graças aos ventos constantes que sopram no golfo de Naousa e que a tornam num dos locais mais apreciados do Egeu para o windsurf e o kitesurf, conjugando assim a alma balnear mais tranquila com a mais desportiva e dinâmica.
O interior e as aldeias de mármore

Nas costas de Naousa a paisagem muda rapidamente: colinas em socalcos cultivadas com vinha e oliveiras, moinhos de vento abandonados nas cristas e aldeias de pedra que contam outra Paros, mais rural e silenciosa. Lefkes, a antiga capital da ilha, empoleirada a meia encosta para escapar às incursões piratas, conserva um traçado medieval intacto e uma das igrejas mais belas das Cíclades. Marathi, com as suas pedreiras de mármore exploradas desde a Antiguidade e utilizadas também para esculturas célebres como a Vénus de Milo, testemunha uma vocação extrativa que tornou Paros famosa em todo o Mediterrâneo.
Sabores do mar e cozinha cicládica
A cozinha de Naousa gira em torno da pesca do dia: polvo seco ao sol e depois grelhado, gavros marinado, lagostas grelhadas nas tabernas que dão diretamente para o molhe. A isto juntam-se os produtos do interior pariano, como os queijos de cabra, o mel de tomilho e os vinhos locais obtidos de castas autóctones como a monemvasia e a mandilaria. Não faltam os doces tradicionais à base de amêndoas e mel, muitas vezes servidos no final da refeição junto com um copo de souma, o destilado local semelhante à grappa, produzido artesanalmente em muitas famílias da ilha.
A festa de Agios Ioannis e a recriação naval

O momento mais identitário do ano continua a ser a festa patronal de 28-29 de agosto, quando o porto recria a batalha contra os piratas com barcos incendiados, tiros a salvas e uma procissão que atravessa toda a aldeia ao ritmo da banda local. A noite termina tradicionalmente com danças populares na praça principal e com a degustação de pratos de peixe oferecidos à comunidade, num evento que reúne residentes e emigrantes que regressam propositadamente do estrangeiro, além de um número crescente de visitantes atraídos pela força cénica do ritual.
Vida noturna e ambiente cosmopolita
Desde os anos noventa, Naousa viveu uma transformação profunda, passando de aldeia de pescadores a destino procurado pelo jet set internacional, sem, contudo, desvirtuar o seu traçado urbano. Em torno do porto velho concentram-se bares, restaurantes com estrelas e locais que permanecem abertos até de madrugada durante a alta temporada, enquanto as ruas do centro histórico albergam boutiques de design e galerias de arte. Esta dupla alma, popular de dia e mundana à noite, convive sem atrito, favorecida pelo respeito quase religioso que os habitantes mantêm pela arquitetura e pelos ritmos tradicionais da aldeia.
Quando ir

A melhor época para visitar Naousa vai de finais de maio a meados de outubro, quando o clima é estável e a maioria dos restaurantes e alojamentos estão abertos. Julho e agosto oferecem os dias mais quentes e a vida noturna mais intensa, mas também a maior afluência e os preços mais altos; para quem procura um ambiente mais tranquilo, conservando ainda assim um mar próprio para banhos, os meses de junho e setembro representam o compromisso ideal. No inverno, a aldeia esvazia-se quase por completo e muitas atividades fecham, mas quem gosta de lugares fora de época pode continuar a apreciar a autenticidade desta aldeia de pescadores.
- Passear ao entardecer pelo molhe do porto velho, entre os barcos de madeira coloridos
- Nadar entre as formações graníticas de Kolymbithres
- Ir até Santa Maria de caique para experimentar windsurf ou kitesurf
- Jantar peixe fresco numa taberna do molhe
- Subir à aldeia de Lefkes entre moinhos de vento e ruelas de mármore
- Assistir à festa patronal de finais de agosto com a recriação naval
- Visitar as pedreiras de mármore de Marathi, fonte da célebre pedra pariana
- Fazer compras entre as boutiques e as oficinas artesanais do centro histórico
Perguntas frequentes
Come si arriva a Naousa da Atene?
Quanti giorni servono per visitare Naousa e dintorni?
Dove si parcheggia a Naousa in alta stagione?
Naousa è adatta alle famiglie con bambini?
Cosa vedere a Naousa in un solo giorno?
Naousa è adatta anche agli animali domestici?
Como chegar
- Aeroporto di Paros (PAS) - circa 10 km da Naousa
- Aeroporto Internazionale di Atene - collegamento via traghetto o volo interno per Paros
- Naousa è collegata a Parikia e al resto dell'isola da una strada asfaltata di circa 10 km; in alta stagione è attivo un servizio di autobus KTEL frequente tra Parikia, Naousa e le principali spiagge.
- In alta stagione prenotare con largo anticipo traghetti e alloggi: i collegamenti verso Paros sono molto richiesti da luglio a fine agosto e i prezzi dei ferry veloci variano sensibilmente a seconda della compagnia e dell'orario.
Perfeito para
Spiagge dalle acque cristalline, dalle rocce scolpite di Kolymbithres alle onde di Santa Maria per gli sport velici.
Un porto che porta i segni delle dominazioni veneziana e ottomana, con il castello sommerso e la festa che rievoca la lotta ai pirati.
Taverne sul molo, pesce fresco, formaggi di capra e distillati artigianali come la souma.
Bar e locali animano il porto vecchio fino a tarda notte in una delle mete più mondane delle Cicladi.
Un entroterra di vigneti, mulini a vento e villaggi di marmo come Lefkes, a pochi minuti dal mare.
Para ver